Diário Catarinense, 28/04/2006 - Florianópolis SC
A não-leitura
Gilberto Sá/ Professor da Uniplac
A leitura é um poderoso instrumento que possibilita a compreensão e transformação da realidade. Nada substitui a leitura, mesmo numa época marcada pela imagem, pelo espetáculo e pelos recursos da informática. Conforme dados estatísticos, o brasileiro é pouco dado à leitura. Nosso índice de leitura chega a 1,8 livro por habitante/ano. A população colombiana tem índice de leitura maior que o brasileiro, chegando a 2,7 livros por habitante/ano. Estamos bem longe da França, onde cada habitante lê sete livros por ano. Nosso passado ajuda-nos a compreender este comportamento, pois a cultura colonial imposta pelos portugueses impedia que a maioria da população tivesse acesso à leitura. O "dom das letras" era privilégio de poucos. Negros e indígenas eram impedidos de compreender o Brasil e responsabilizar-se pelos seus destinos. Conforme o Censo de 2000, a taxa de analfabetismo era de 13,63%. O IBGE considera analfabetos aqueles acima de 15 anos que não sabem ler e escrever um bilhete. Se for considerado outro conceito, "o analfabeto funcional", isto é, aqueles que não conseguiram concluir as séries iniciais, esta taxa de analfabetos passa para 27 %.
São aproximadamente 30 milhões de brasileiros. O problema da pouca leitura no Brasil também está associado ao quadro de desigualdades, injustiças, miséria, fome e limitado fomento ao valor da democracia e liberdades. Neste contexto , vamos encontrar um cenário fértil a produção de não-leitores. Abordagens sociológicas têm mostrado que os indivíduos da classe C não lêem; os da Classe B valorizam mais os programas de TV; os da classe A são aqueles que lêem. Precisamos de uma nação leitora. Tecnologias sem acesso a leitura é gerar ignorantes informatizados.









Acompanhe em @oficialfaj